Pesque e solte está liberado no rio Paraguai, em Corumbá

 Clóvis Neto

  
Pesca é um dos atrativos de fevereiro em Corumbá

A pesca esportiva está liberada a partir de hoje, 1º de fevereiro, na calha do rio Paraguai, na modalidade do pesque e solte. A atividade, no entanto, exige regras. Uma delas é o pescador estar munido da licença, além de documento de identidade durante a prática, que pode ser feita apenas com linha de mão, molinete, caniço, carretilha, anzol e iscas vivas ou artificiais.

A pesca esportiva está liberada a partir de hoje, 1º de fevereiro, na calha do rio Paraguai, na modalidade do pesque e solte. A atividade, no entanto, exige regras. Uma delas é o pescador estar munido da licença, além de documento de identidade durante a prática, que pode ser feita apenas com linha de mão, molinete, caniço, carretilha, anzol e iscas vivas ou artificiais.

O pesque e solte vigora na região do Paraguai desde 2004 e está ganhando adeptos a cada ano, movimentando o setor turístico da cidade. Turistas começam a chegar em busca de valiosos troféus, a fotografia ou mesmo filmagem dos belos exemplares fisgados. No entanto, é uma atividade que exige regras.

Muitos pescadores acreditam que praticando o pesque e solte estão conservando a natureza. Porém, fisgar o peixe e submetê-lo a uma briga longa, por exemplo, pode levá-lo a um nível muito alto de estresse e/ou causar alguma lesão que resultará na morte do animal.

Os efeitos do manuseio durante o pesque e solte têm sido objetos de estudo nas diversas regiões onde esta prática foi adotada. A Embrapa Pantanal, realiza pesquisas acerca dos efeitos do pesque-e-solte em peixes no Pantanal, visando avaliar a efetividade desta prática de manejo para a conservação dos estoques pesqueiros.

É um grande erro pensar que o peixe é resistente a tudo, e que pode ser pescado de qualquer maneira antes de ser devolvido à água. O pesque e solte precisa ser feito seguindo algumas regras, para que o peixe, ao retornar ao seu ambiente, tenha garantida a sua sobrevivência. Afinal, se não fosse assim, o pesque e solte não teria razão de existir como prática desportiva.

O pesque e solte é adotado fundamentalmente quando se quer garantir a diversão da pescaria, com vantagens econômicas e ecológicas, com a manutenção de um ambiente equilibrado.

Praticando o pesque e solte da forma correta, podemos dar condições para que um mesmo peixe seja fisgado várias vezes num mesmo período e que este peixe mantenha a capacidade de fugir de predadores, se alimentar, crescer e se reproduzir, o que não ocorreria caso ele fosse abatido, ou devolvido sem condições de sobrevivência ao rio.

Anzóis especiais

Existem procedimentos corretos para a realização do pesque e solte que são conhecidos no mundo inteiro. Os anzóis apropriados para a prática são aqueles que não têm farpas, já vendidos em lojas do ramo. Mas, os anzóis comuns podem ter suas farpas retiradas ou amassadas. Também só retire o anzol que estiver preso na boca do peixe ou nas regiões externas. Nunca tente recuperar o anzol que o peixe engoliu.

A briga com o peixe é o ponto alto da pescaria. Quanto mais uma determinada espécie de peixe resiste, mais ela é apreciada e alvo da pesca esportiva. Entretanto, o ideal é diminuir o tempo de briga com o peixe, pois a luta do peixe para escapar resulta em estresse ou alguma lesão séria, que pode comprometer a sua sobrevivência. O peixe estressado é mais suscetível a predação e a doenças.

O ideal é não retirar o peixe da água. Mas, como isto é necessário para a retirada do anzol, por exemplo, quanto menor for o tempo de permanência do peixe fora da água, maior será a garantia de sua sobrevivência.

Nunca coloque o peixe na posição vertical, pois isso pode causar lesões na coluna ou nos órgãos internos do peixe. A posição correta para o peixe é a horizontal. Deve-se evitar o contato direto com a pele do peixe, revestida por muco, que entre as suas muitas funções, tem ação contra fungos e bactérias. A retirada deste muco representa uma porta de entrada para doenças.

As brânquias são os órgãos responsáveis pela respiração dos peixes. Esta região é muito delicada e jamais deve ser tocada, pois o contato das mãos pode causar lesões e levar à contaminação por fungos e bactérias, resultando em diminuição da eficiência respiratória e doenças.

A soltura do peixe deve ser feita lentamente. O peixe não deve ser arremessado na água. Isto pode causar lesões no corpo do peixe e faz com que o animal fique cansado e desorientado e se torne uma presa fácil para outras espécies predadoras. Coloque o peixe na água, apoiando-o com as mãos por baixo do corpo para que se recupere lentamente e só saia quando estiver em boas condições e por conta própria.

Evite o movimento de vai e vem dentro da água antes de soltar o peixe. Embora alguns pescadores acreditem que este movimento reanima peixe, na verdade ele pode comprometer a respiração e o equilíbrio do peixe e, em vez de ajudar, vai atrapalhar a sua sobrevivência.

Seguindo estes procedimentos, as chances de sobrevivência dos peixes submetidos ao pesque-e-solte aumentam muito e esta prática torna-se efetiva na conservação e uso sustentável dos recursos pesqueiros. (Com informações do Guia da Pesca)

 

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