Festival começa com homenagens ao Rio Paraguai e seus personagens

No 10º Festival América do Sul, que começa hoje, dia 1º, e vai até 05 de maio em Corumbá, o Rio Paraguai e mais cinco personagens da região pantaneira serão homenageados, durante a solenidade de abertura.

 

João de Arruda Pinheiro, que nasceu em 24 de janeiro de 1953, na fazenda Santa Terezinha, às margens do rio Taquari, na região da Nhecolândia, juntamente com todos os irmãos  nascidos e criados nessa localidade. Hoje, é pai de cinco filhos. Veio para a cidade de Corumbá, aos 14 anos de idade, quando aprendeu a navegar com seu irmão mais velho: Gerson, já falecido, e começou seu trabalho navegando nas águas do rio Paraguai. Na juventude dividia as tarefas da lida do campo com o pai e os irmãos, mas seu grande sonho sempre foi viver, um dia, exclusivamente da navegação, tendo sua própria embarcação. Seu sonho tornou-se realidade através de muito trabalho e dedicação. Hoje transporta passageiros pelo Pantanal e conhece toda a região pantaneira. Sua maior dificuldade foi tirar a carteira marítima, na parte teórica, pois o mesmo nunca havia frequentado uma escola, mas aprendeu a ler e a escrever com sua irmã e, hoje, com 60 anos de idade, é contra-mestre fluvial.

 

Wilson de Oliveira, nascido em Corumbá, em 13 de abril de 1942. Aprendeu a tocar sozinho aos 15 anos, porque muitos de seus amigos tocavam algum instrumento. Para poder tocar com eles começou a dedilhar algumas músicas, passando a tocar na festa do Divino. Passou a sua infância em Albuquerque e como no distrito a Festa do Divino é muito importante, passou a ajudar a fazer a festa, além de ser o sanfoneiro oficial da festa. Há 37 anos veio morar em Corumbá, mas sempre perto da festa, a família toda vai para Albuquerque para ajudar nos preparativos.

 

Para dar o sustento da família seu Wilson, virou caminhoneiro leva frete para as fazendas da região, mas há cinco anos montou o grupo “Alma Chamamezeira” e sempre que tem um tempo livre toca nos bailes da região. Fez da música sua busca de paz e tranquilidade nas estradas do Pantanal.

 

Josefina Alves Ribeiro (in memorian) nasceu em 12 de março de 1924 na Ilha Ínsua, também chamada de Bela Vista do Norte, região de difícil acesso entre Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bolívia, no antigo Mar de Xarayés, como os antigos exploradores europeus chamavam o Pantanal. A Ilha Ínsua é o lar dos Guató, exímios índios canoeiros remanescentes do Pantanal. Ainda jovem, aprendeu com a mãe e a avó a tecer tapeçaria, abanicos e outras peças artesanais com fibras naturais, como o aguapé. Com o passar do tempo, casou-se e tornou-se mãe de cinco filhos.

 

Aos poucos, os Guató foram sendo expulsos de sua terra por fazendeiros que queriam suas terras. Assim, acabaram espalhando-se pelas periferias de Cáceres, Aquidauana e Corumbá, na tentativa de sobreviver dignamente e deixando de lado seus costumes. Chegaram a ser classificados como uma etnia extinta pelo governo brasileiro. O artesanato produzido com a fibra do aguapé, ou camalote, abundante no rio Paraguai, que aprendeu a mãe e com a avó no Aterro de Joaquim Ferreira, no Porto Conceição, ajudavam Josefina na manutenção da família.

 

Em 1976, graças a um tapete feito de fibra de aguapé por Josefina, no Pro Sol, atual Casa do Artesão, os Guató foram redescobertos. Missionários e indigenistas organizaram expedições para lhes devolver sua terra que lhes era de direito, até que em 2003 foi homologada a Terra Indígena Guató. Josefina faleceu em 9 de junho de 2012, mas antes ensinou muitas mulheres a seguirem produzindo e repassando esses saberes seculares de sustentabilidade: o artesanato em aguapé, típico dos Guató. Mulher persistente, que não se deixou aculturar, Josefina é símbolo da resistência cultural de um povo que já dominou o Pantanal. Cada camalote que desce o rio Paraguai leva a ternura e a perseverança de Josefina.

 

Ivone Torres Moraes, nasceu em 6 de julho de 1942, é mãe de 5 filhos biológicos e mais de 15 adotivos. Écasada há 52 anos com o Sr. Américo Antônio de Moraes. Sua história com a festa de São Pedro já existe faz mais de 30 anos e a primeira foi motivada por estar vivendo um período de tristeza que tinha como causa a morte de sua irmã, vítima de suicídio. A fim de diminuir esse sofrimento, os padres Fortunato e Chico e a irmã Francisca convidaram-na para fazer parte da Comunidade Católica de São Pedro, iniciando, a partir daí, trabalhos dentro da própria comunidade, como a reza e a solicitação de ajuda, de casa em casa, em nome desse santo. Com os recursos arrecadados, ela faz uma grande festa em homenagem a São Pedro, do qual fala com muita emoção e devoção. Além disso, há, em todos os anos, como parte da programação, a procissão terrestre e a fluvial.  São Pedro é padroeiro dos pescadores.

 

Rubén Bareiro Saguier – Ensaista, poeta, advogado, foi embaixador do Paraguay na França. Nasceu em Villeta, à beira do rio Paraguay  sendo o rio muito presente em sua obra. Entre suas obras figuram  “El rio , la vida” com fotos de Fernando Allen , “A la Víbora de la Mar”, “Literatura Guaraní del Paraguay”, “El Séptimo Pétalo del Viento, Ojo por Diente”, entre outras.

 

A abertura do festival acontece a partir das 19h no Palco da Américas. (Assessoria do FAS)

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